Hortelã

Querido hortelã,

Admirei o seu verde. Não tinha como ignorar a sua presença. As folhas eram fortes, escuras e acompanhadas de ramificações a procura de espaço no jardim. Você se espalhava com prazer, sem dificuldade e sem pudores pela terra toda. E que cheiro maravilhoso, hortelã! Minha respiração aliviava quando eu te prendia nos dedos e cheirava logo em seguida. Invadia meu peito e eu expandia em reação a menta sutil que se intensificava conforme eu mexia as mãos. Ainda nem falei de seu gosto…

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O término que não quero repetir

Escrever esse texto é como estar em uma sala vazia sentado de frente para minhas sombras. Quem dera fossem sombras como o contraste da luz em mim. Na realidade talvez sejam monstros. Criaturas amórficas como as manchas de Rorschach. Interpretações únicas para memórias cansadas.

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Dói, São Paulo

são paulo,

já faz alguns anos da minha chegada. só duas malas cheias de livros e roupas. a câmera pendurada no ombro e uma mochila de expectativas bem embaladas com medo que pudessem quebrar. fase nova. tem situações que acontecem rápido demais, você não percebe. assim como não percebi os anos que passaram.

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